Implante dentário agulhado como concausa de pansinusopatia


Implante dentário agulhado como concausa de pansinusopatia.
Relato de caso pericial.

Durante algumas jornadas empreendidas na espinhosa carreira pericial, fomos certa vez contratados por colega de saudosa memória, como assistente técnico em processo ético do Conselho.

Acontece que um processo aparentemente indefensável, depois de lido e relido algumas vezes pela madrugada à dentro, mostrou algumas falhas tanto do ilustre “expert” designado para o caso, como do cirurgião renomado da especialidade de Otorrinolaringologia que por duas vezes, operou o paciente, autor da ação.

Daí a fundamentação do parecer e da defesa prévia em nível administrativo, que ensejou o arquivamento do processo pelo Conselho, após censura em aviso reservado.

“Isso prova que nada está irremediavelmente perdido, quando se estuda e analisa com cautela quaisquer alegações.”
A utilização do termo concausa, ou seja, de uma causa paralela para o estabelecimento do quadro patológico apresentado, foi deveras oportuna e possibilitou à comissão de Ética do Conselho um julgamento imparcial e justo.

Acontece que os implantes agulhados já haviam sido retirados pelo especialista, muito antes da queixa haver sido formulada no Conselho - não havendo regressão do quadro - que também não regrediu após duas cirurgias otorrinolaringológicas realizadas em clínica famosíssima da capital.

Isso posto, ficou patenteada a existência de uma causa primária para a patologia, que não os implantes dentários realizados, já que o paciente era portador de alergia extremamente exacerbada, que não havia sido relatada na anmnese.

Se a causa mecânica, quero dizer, a presença dos implantes agulhados fosse a principal causa do problema, após a retirada cessaria o efeito; foi o que aprendemos na faculdade. Ora, se os sintomas persistiram mesmo após cirurgias especializadas de curetagem dos seios paranasais, é porque havia outra causa maior de cunho sistêmico e ligada à imunidade do paciente, e isso foi provado.

Há hoje, infelizmente, uma tendência muito grande de certos pacientes de buscarem a justiça antes de esgotarem todas os recursos de diálogo com seus profissionais de saúde assistentes, sejam eles médicos, cirurgiões dentistas ou os demais profissionais da área. Digo isso porque orientados por maus advogados que buscam se locupletar, muitos ingressam em demandas judiciais sem antes ouvirem opiniões daqueles profissionais e buscarem soluções mais adequadas para as questões.

Hoje falta amor ao próximo nas relações humanas e isso é lamentável. É óbvio que muitos colegas pecam grosseiramente quando não se resguardam na documentação clínica. Mas não vamos torpedear um profissional e destruir sua carreira e até sua vida - o implantodontista envolvido nesse caso morreu pouco tempo depois de pancreatite - segundo os médicos com sua doença agravada pelo desgaste emocional a que foi submetido.

Pairava no ar a ameaça de que caso Conselho julgasse procedente a queixa e tomasse uma medida coercitiva contra o CD como censura pública, suspensão ou cassação do exercício profissional, o autor levaria a decisão para os tribunais como fundamentação da peça exordial do processo a ser instaurado. E possivelmente lograria êxito na demanda, porque os juízes costumam acatar as decisões emitidas pelos órgãos fiscalizadores das profissões.
Tudo aquilo então poderia resultar numa condenação de indenização vultosa, liquidando o patrimônio adquirido pelo CD a duras penas, já que nós todos sabemos quanto temos que estudar e trabalhar para adquirir alguma coisa na vida.
Após atuar nesse caso, decidimos aprofundar nossos estudos em Direito Médico e Odontológico, visando à constituição de uma consultoria jurídica particular para profissionais de saúde, já que também somos graduados em Direito.

ROBSON TADEU DE CASTRO MACIEL
Pósgraduado em Odontologia Legal - UFRJ
Mestre em Ciências da Saúde - Unipli - RJ


Contato: rmodontolegal@ig.com.br

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