Satisfação, Realização e Remuneração


Hoje tenho a intenção de fazer uma breve dissertação, entre outras coisas, sobre a questão tão controversa chamada Remuneração, que tecnicamente denominamos Honorários Profissionais.
A etimologia da palavra vem do latim “honor”, isto é, “honra”. Sendo assim, é o valor que se paga por um trabalho – honra realizada. Esta medida é difícil pela intangibilidade de se atribuir valor financeiro à honra.

A maldita retórica capitalista desconsidera a honra e ecoa aos quatro ventos que temos que ganhar dinheiro aviltantemente para sermos bem sucedidos.

Outros mais filosóficos, mas igualmente insanos, exclamam que temos simplesmente que optar pela profissão que nos afinizamos, sem absolutamente considerarmos a remuneração.
Não gosto de fórmulas absolutas, mas a verdade é que a Tríade
Satisfação - Realização - Remuneração
é uma das mais absolutas que conheço.
No mundo em que vivemos, não vejo uma sem a outra.
Para se ter sucesso temos primeiro que ter satisfação no que fazemos, para assim nos realizarmos profissionalmente e assim sermos bons profissionais bem remunerados. Mas sem utopia de escolher por uma área que não oferece mercado de trabalho favorável, pois assim por mais que se sinta satisfeito e realizado com a profissão, em pouco tempo se frustrará com a má remuneração e perderá o binômio inicial. Contudo, não pense que pode exercer uma profissão que não gosta somente pela remuneração que se mostra favorável, pois não será duradouramente competente, o que impedirá a remuneração. Além disso, a falta de satisfação e realização te consumirá profundamente.

Entendido isto, para se exercer a Odontologia de forma bem sucedida tem-se que primeiramente amá-la, todavia deve-se saber calcular os caminhos que podem te levar ao sucesso.

Vemos casos onde se perde o significado dos honorários e pratica-se uma relação excessivamente comercial na Odontologia. O tratamento fica muito vinculado aos honorários à receber. O paciente se sente como um caixa registradora.

Se isso acontecer, a imagem do profissional ficará seriamente abalada e consequentemente os pacientes não terão confiança na hora de pagar. Então surge aquele dilema igual ao do comercial, onde questiona-se se "vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?".

Mas neste caso de forma negativa: "O dentista demora o tratamento porque o paciente não paga ou é o paciente que não paga porque o dentista demora o tratamento?"

A credibilidade tem que começar de cima para baixo e não ao contrário. Somos nós que temos mostrar credibilidade primeiro. Mesmo que se perca um percentual pequeno devido à inadimplência, nosso tratamento não pode ser baseado essencialmente no que o paciente pagou.

Por incrível que pareça, quanto menos comercial é sua relação com o cliente, maiores serão seus proventos. Assim se soma a ética ao lucro justo.

Sei que muitos devem estar questionando:
- Como posso confiar que terminarei o tratamento o mais rápido possível e o cliente me pagará após o tratamento realizado?

Assim como temos que ter olho clínico nas técnicas odontológicas, também temos que tê-lo na hora de dar crédito ao cliente. Não existe fórmula mágica para isso. Mas se a maioria das pessoas fosse inadimplente o crediário, o cheque pré-datado e os cartões de crédito já teriam sido abolidos das relações comerciais. E a taxa de inadimplência da prestação de serviço em geral é muito menor do que a do comércio, pois esta é uma relação mais pessoal, principalmente em se falando de Odontologia. Como diz o dito popular "dor de dente não dá uma vez só". Muito da alta taxa de inadimplência que por vezes acomete alguns consultórios se explica no que foi citado em relação à demora com o tratamento.

Isso não quer dizer que devemos deixar o cliente pagar como ele quiser. O que devemos fazer é impor regras claras e flexíveis quanto ao tratamento e seus honorários e depois focarmos nossa atenção no tratamento e não nos honorários. Somente se o paciente acintosamente não cumprir o combinado quanto aos honorários devemos expor os fatos e se for inevitável paralisar o tratamento. Mas não devemos ficar demorando com o tratamento por este motivo. Temos que ter a flexibilidade do bambu e a dureza do carvalho.

Se seu tratamento satisfizer o cliente, pode ter certeza que você será o último a quem ele desejará dever.

Demora excessiva nos tratamentos, é um dos principais fatores que levam as agendas a ficarem hiperlotadas, sem que haja aumento de lucro. A ganância pelo lucro anula o próprio lucro.

Devemos aprender que trabalhando com satisfação, alcançaremos o realização e assim a atração lhe trará a justa remuneração.

Trabalhe pelo apreço e não somente pelo preço.
.
Dr. Otávio Colonna Vieira
Cirurgião Dentista CRO-RJ 23228
Graduado pela Universidade UNIGRANRIO - 1998
Curso de extensão em Implantodontia - Faculdade Pestalozzi - Niterói

Email: colonna@dentistas.com.br
Perfil: www.dentistas.com.br/colonna



Na próxima semana:
Clínica geral ou especialização? Eis a questão!

.


 
Dentistas.com.br

Google