Coluna do Ribeiro - 05 - Objetivos Profissionais


OBS: Os negritos abaixo foram feitos não pelo autor, mas pelo editor do site, para destacar pontos que, na formatação da Internet, poderiam se confundir em meio ao texto.
OBJETIVOS PROFISSIONAIS

INTRODUÇÃO

Muito se tem falado em marketing focado no serviço ou no cliente. Que hoje o importante é saber o que o cliente quer. Atentar e atender suas necessidades e desejos.

Mas não se pode em hipótese alguma esquecer o que você quer. Quais são os seus objetivos.

Sem nenhuma dúvida, um dos pontos chaves para sermos bem sucedidos, em qualquer área de atividade, é tê-los bem evidentes, claros e ordenados. Quanto mais definidos e presentes os tivermos, tanto mais no caminho para alcançá-los estaremos. Aqui se incluem tanto os de natureza profissional, como de caráter pessoal. Os de curto e os de longo prazo. Alguns podem fazer parte de um tipo de missão, que é a definição dos objetivos e atividades, como habitualmente é adotado em grandes empresas.
Defina bem qual é a sua missão e faça dela um compromisso permanente.

DEFININDO METAS

Para se conhecer melhor um dos extremos, qual seja onde que­remos chegar com nossa profissão, é importante e oportuno conhecer o outro: o porque a escolhemos. Hoje, além da vocação, muitos outros fatores levam à opção de uma profissão: facilidade e possibilidade de ganhos, rapidez para obter resultados, conceito ou status que a profissão dá, comodidade pela existência do curso na região, influência de alguns amigos ou parentes bem sucedidos, dentre outros.

Tanto maior a gama de moti­vadores para a escolha de uma profissão, mais longe ou perto poderemos estar dos enca­minhadores naturais para o sucesso na mesma. O gostar dela, identificar-se com seu exercício, conhecer suas peculia­ridades, sentir-se bem em poder colaborar com o próximo, por seu exercício. E de seu objetivo maior, que deveria ser o realizar-se com ela.

Nos tempos atuais, perdeu-se um pouco o fator sonho como decisor por uma profissão. Os encaminhamentos são mais objetivos e envolvem critérios mais ligados à realidade, que nos põe em busca do ser bem sucedido. Não eliminam a essência de uma vocação, mas precisam ser considerados, na medida em que tiveram peso na decisão e fazem parte das metas pessoais para com a profissão. Aqueles que assim procederam devem estar conscientes e atentarem a este fator.

Os que optaram em função de resultados, status ou influências terão de ter em conta que o objetivo maior é o cliente. Que de seu bom desempenho dependerá o conceito que se terá como profissional e que, para chegar mais longe, ser bem sucedido, se deverá cuidar da imagem que inicialmente fazem os seus clientes e que, em última instância, será a deter­minante do seu êxito profissional. Dentro de uma sociedade de conceitos e valores, pouco se pode enganar quanto aos créditos que são adquiridos ao longo de uma vida. Dificilmente se conseguirá mudar a máxima do cliente em primeiro lugar. Para sair-se bem no desempenho de uma profissão, o cliente tem que estar perto da satisfação absoluta. E a realização desta meta é o próprio objetivo e sua conseqüência, o sucesso.

A atualização profissional tem muito a ver com sua vontade por algo novo e em evolução. Manter sempre acesa a chama para o recomeço. É próprio do ser humano ter uma atração pelo moderno e por isso se rompem conceitos em busca de soluções melhores para os problemas que afligem ao semelhante. O interesse pela modernização é uma demonstração de progresso e a confirmação de abertura para um futuro melhor a você e aos seus clientes, para a sua profissão e para si próprio. Da mesma forma que a busca incessante da satisfação do cliente como um todo é objetivo do profissional, esta mesma determinação deve estar presente no trato dos seus objetivos pessoais e profissionais.


DEFININDO MEIOS

Muito embora a maioria das profissões liberais tenha se estruturado melhor somente nos últimos vinte ou trinta anos, elas se apresentam hoje com muitas alter­nativas como modalidade de exercício profissional, desde generalistas até a dedicação na forma de uma especia­lidade. É importante conhecê-las para uma melhor consciência na decisão, ainda que futura, por alguma delas, bem como avaliação do momento exato para decisão por uma delas e pla­nejamento adequado para como e quando começar, para se fazer frente aos custos dos cursos e conseqüentes pela interrupção da receita nos dias destes.

Àqueles que se estão iniciando o recomendado é a prática generalista para conhecimento da profissão como um todo. Depois desta fase, uma prática comum em quase todas as profissões liberais é a dedicação a uma especialidade em clínica ou escritório com colegas. Esta traz a vantagem de realizá-lo também nos clientes dos colegas, que terão assim um leque mais amplo de serviços a oferecer, sem que os clientes necessitem ficar buscando outros endereços. Esta como­didade aos clientes constitui-se em vantagem àqueles que ainda não possuem clientela própria em quantidade suficiente.

Aos que estão há mais tempo na profissão, que gostem da clínica geral, a opção por atuar numa espe­cialidade com maior dedicação, sem ser especialista, além de ser fórmula para avaliar o interesse futuro para com esta especialidade, é maneira de concentrar despesas com cursos de atualização e aquisição de livros e revistas de uma só área. Perante os clientes, a postura seletiva de se dedicar mais a um tipo de trabalho, melhora sua imagem e adquire status, indicando a colegas, trabalhos pelos quais não tem interesse de executar.
Deve-se ter em mente que em termos de marketing, a opção por uma especialidade é um limitador e excludente de pacientes, que como tal precisa ser bem avaliado, quanto a seu momento certo e gradualidade da sua adoção.

DEFININDO ATIVIDADES

Diversas são as formas de atuação na profissão, com vários graus de retorno, quer monetário, quer de realização profissional e pessoal. Dentre estas, a mais usual é a dedicação à clínica geral. É a que traz resultados mais imediatos, além de promover uma experiência maior e uma clientela mais ampla. Além da manutenção do profissional, pode servir como um laboratório evolutivo na medida em que o profissional faça natu­ralmente maior dedicação à especialidade ou encontre a que tenha maior afinidade e avalie comparativamente seus casos, tendo assim maior segurança na opção de qual seguir.

Outra dedicação que começa a despontar com o surgimento de inúmeros cursos de graduação, especialização e muitos de atualização e aper­feiçoamento, é o magistério. Nos cursos de especialização e atua­lização em entidades de classe, existe a possibilidade de retorno financeiro, visto que, na maioria destes, há uma participação do ministrador no resultado dos cursos. Nas faculdades, como ainda a remuneração dos professores é pequena em nosso país, o resultado é mais em forma de satisfação. Os bons profissionais na clínica ou escritório, quando em atividade docente, têm como vantagem adicional, além do acréscimo de prestígio, o encami­nhamento de clientes com casos mais complexos, por parte dos alunos. Como marketing, sua maior justificativa se relaciona com o prestígio que a função lecionar brinda.

Usando a escala do aumento de dificuldades, com conseqüente diminuição de interesses, outra área de atuação dos profissionais liberais é a pesquisa. Igualmente à situação anterior encontramos pouco incentivo a esta importante área, principalmente por estar o país num estágio evolutivo em processo acelerado. O surgimento de novos produtos e serviços, colabora para seu incremento. Há também uma limitação extra pela existência de poucas instituições de pesquisa e poucos recursos seu desenvolvimento.

Boa parte das pesquisas resulta em uma publicação, que adicionam conceito extra, a seu realizador, o que se constitui em marketing profissional indireto. Pelo mesmo critério, chegamos ao topo da pirâmide, a atividade de escrever e publicar. É nobre e vai ganhar destaque na medida em que au­mentar o interesse dos liberais pelas novas especialidades e dos que a elas se dedicam, pela leitura. Como nas duas dedicações ante­riores (magistério e pesquisa) encontramos aqui, novamente, o idealismo e o espírito altruístico de produzir e levar o conhecimento a todos aqueles que o buscam. As publicações podem ser na forma de livros, manuais, monografias, trabalhos ou artigos em revistas científicas ou leigas.

Mais recentemente começou a surgir uma nova figura nas atividades profissionais: o “tester”, que recebe em espécie ou em produtos para desenvolver testes dos novos materiais ou técnicas e que como complemento podem forne­cer consultoria às empresas fabri­cantes. Existe também o formador de opinião, profissional de destaque que recebe vantagens para difundir determi­nada marca. São atividades novas e que não estão ainda bem definidas e sedimentadas.


DEFININDO PRIORIDADES

Ainda que muitos dissimulem, existe no íntimo de cada profissional uma escala que prioriza ou ordena objetivos. Esta conceituação só é omitida na medida em que se atribui inversões de valores nos critérios. Quando conscientemente alimen­tada, serve como mola propulsora para o alcance dos objetivos. Sem uma preocupação lógica seqüencial (embora demonstrando a situação em que é normalmente omitida) apresentaremos as prio­ridades clássicas na opção por uma das profissões:


DINHEIRO CARREIRA FAMÍLIA CLASSE COMUNIDADE

Indiscutivelmente a comunidade é a razão maior de nosso trabalho, sendo, portanto a preocupação pri­meira da profissão e da especia­lidade. Se nos abstrairmos dela, haverá um comprometimento de todos os demais objetivos. A classe sintetiza a atuação dos profissionais como um todo e como tal deve estar acima do particular, acima do interesse individual. Assim sendo, o exercício da especialidade não deve estar acima dos interesses de outras especialidades e de outros profissionais. O sentido exato para esta é um complemento à atuação da profissão na direção do todo.

Pela família está a razão de ser do trabalho de um indivíduo, fazendo dela a célula básica do sentido social. A idéia da família transcende o eu e amplia as respon­sabilidades, fazendo do ser algo mais amplo e maior, decorrendo pelo exemplo, que em muitos casos os filhos se interessem pela profissão e já com alguns casos comprobatórios, pela especialidade. A carreira deve ser entendida como o somatório evolutivo do profissional em exercício. É a própria existência da pessoa em seu trabalho, e como tal deve ser planejada e executada.

Embora envolvendo indicadores nem sempre palpáveis, a própria ascensão de um profissional é sinal da dedicação a seu trabalho. A carreira deve ser vista como uma das coisas mais importantes, pois se constituirá em verdadeiro patri­mônio e que no caso da descen­dência vir a se interessar pela profissão, poderá ser um legado.

Dinheiro. Não pode estar em primeiro lugar. Também não precisa ser a última coisa a ser pensada. A bem da verdade, o dinheiro virá de forma segura como conseqüência de um trabalho. Não há neces­sidade de ter-se pudor ao lucro, como também o dinheiro não pode subir à cabeça como a primeira coisa que se vê. Como válvula de segurança, lembre que os bons clientes (objetivo de todo bom profissional) percebem facilmente quando o colocam em primeiro lugar e quando não, em pouco tempo pela constatação de que a qualidade do serviço não foi a primeira preocupação.
Invertemos propositadamente a ordem das colocações, para que ao se estabelecer prioridades a maior esteja antes e os demais sejam conseqüentes.

DEFININDO ÉPOCAS

Numa maratona, como em provas de longa distância, há que se dosar energias, se distribuir adequadamente as cargas.
De 0 a 10 anos a maior preocupação é não ter preocupação. Dos 10 aos 20, a formação educativa é fundamental.
Dos 20 aos 30 se tem energia e vigor físico para trabalhar muitís­simo.
É inteligente dos 30 aos 40 trabalhar muito e fazer estudos de atualização e especialização.
Dos 40 aos 50 trabalhar razoavelmente e começar a devolver o conhe­cimento adquirido, ministrando.
Dos 50 aos 60 trabalhar pouco e passear bastante para acima dos 60 ter tempo, saúde, condições e moti­vação para pensar muito e decidir o que fazer da vida.
Esta colocação simplista tem por objetivo fazer com que cada um se situe em sua fase, avalie as etapas já vividas, os objetivos alcançados e os tempos adequados para atingi-los. O importante é ter bem claras e definidas as prioridades, para definir as atividades e meios para atingir as metas nas épocas certas.

Este é o próprio sentido da vida e a satisfação pelas conquistas tem muito a ver com os objetivos pessoais e profissionais conquistados nos tempos certos. Quanto mais você souber o que quer, mais fácil lhe será identificar o que seu cliente busca. Bem como o atingimento do que ambos estão querendo: satisfação de suas necessidades e desejos. Que são atenções maiores de um bom marketing.



Antônio Inácio RIBEIRO
Doutorando em Marketing pela ULR/Espanha, MBA em Marketing pelo ISAE/FGV, Especialista em Marketing pela PUC/PR, Pós-graduado em Marketing pela ADVB/SP, Administrador pela Universidade Mackenzie/SP.
É autor de 29 livros, tendo já publicados mais de 800 artigos e colunas, 200 no Brasil e 600 no exterior, ministrador de 220 cursos e palestras.
Email: ribeiro@odontex.com.br
Site: www.odontex.com.br
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Na próxima semana:
COMO EVITAR A PERDA E GANHAR MAIS CLIENTES


 
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