O TPD como elemento assessor do CD na equipe de saúde


Observação do Editor: Este artigo fazia parte inicialmente da COLUNA CIENTÍFICA, passando depois, com a criação da COLUNA DO MACIEL, para a nova coluna.

Sabemos que a Odontologia vive hoje uma condição difícil, causada pelo baixo poder aquisitivo das pessoas e o alto custo operacional da profissão... Não obstante, ainda é uma das poucas profissões liberais da atualidade.

Quando se trata de reabilitação protética a Odontologia não pode prescindir do Técnico de Prótese Dentária (TPD) na equipe, até porque está longe a época em que o Cirurgião Dentista fazia tudo, desde a clínica à parte laboratorial.

Não que o CD não seja capaz de esculpir, incluir e fundir um trabalho, ou ainda polimerizar uma resina. Entretanto sua formação é clínica, objetivando o atendimento ao paciente, sem descuidar de aspectos importantes como a anamnese, o planejamento reabilitador, os exames complementares, os preparos cavitários, a moldagem, etc.

Como poderia trabalhar corretamente, em tempo hábil, sem contar com um dos principais assessores da sua equipe que é o TPD?

Longe também está a época que se apelidava o local de trabalho do protético de oficina. Mais longe ainda, felizmente, está o tempo em que os escravos vendiam dentaduras nas portas das igrejas.

A Prótese Dentária evoluiu bastante e já tem até curso de formação de tecnólogos em nível superior, além de seus congressos e simpósios nacionais e internacionais. Com o surgimento de novos equipamentos laboratoriais, materiais de última geração e conhecimentos científicos aplicados, a profissão hoje ocupa um status digno de nota e uma respeitabilidade enorme no contexto da sociedade. Entretanto, cabe aos técnicos se tornarem dignos dessa posição conquistada, sem jamais cometer infrações éticas e sem nunca se aventurarem ao exercício ilegal, porque senão estarão irremediavelmente liquidados.

É o que digo sempre aos meus alunos, porque além de haver sido professor de Odontologia Legal da UNIG, sou também professor de Prótese Dentária, em nível técnico, do único curso oficial do interior do Estado do Rio: o Curso Técnico de Prótese Dentária do Colégio Estadual Nilo Peçanha em Campos dos Goytacazes, onde iniciei minhas atividades em 1976 como monitor contratado (na ocasião era Acadêmico de Odontologia e estagiário de Prótese da Faculdade). Em 1981 retornei ao curso e estou atuando até hoje, aguardando meu enquadramento e posterior aposentadoria.

Sempre defendi uma formação do TPD voltada à realidade do paciente, lógico que de forma indireta, evidentemente dentro dos princípios éticos preconizados pelo nosso Código, onde a atuação laboratorial jamais venha a interferir na clínica.
Mas que mal há na presença do TPD na sala clínica sob o comando do CD?
Por que não acompanhar os procedimentos de prova dos trabalhos para melhor discutir a cor ideal dos dentes, os aspectos funcionais e estéticos dentro da anatomia peculiar e do biotipo do paciente? Sou inclusive a favor da existência de laboratório de prótese anexo ao consultório odontológico, para que os CDs protesistas possam racionalizar seu trabalho de forma ideal, tanto em tempo de execução como em eficácia.

O que importa é incluir na formação dos referidos técnicos todas as informações de Ética e Legislação pertinente como fazemos, para que não se sintam eminentemente práticos pela carga laboratorial exigida e não se esqueçam do humanismo que deve sempre permear as relações entre os profissionais de saúde.

ROBSON TADEU DE CASTRO MACIEL
Pósgraduado em Odontologia Legal - UFRJ
Mestre em Ciências da Saúde - Unipli - RJ

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