Exames periódicos ocupacionais em trabalhadores offshore da Bacia de Campos


Observação do Editor: Este artigo fazia parte inicialmente da COLUNA CIENTÍFICA, passando depois, com a criação da COLUNA DO MACIEL, para a nova coluna.

INTRODUÇÃO

Com o advento da legislação específica que introduziu os exames periódicos de Odontologia na rotina das clínicas de Medicina do Trabalho, passamos a promover os mesmos com os empregados da empresas terceirizadas em Macaé-RJ, desde a década de 90, dentro de uma sistemática que buscava se adequar as exigências da Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS.


DISCUSSÃO

Obviamente que os exames realizados nos empregados das empresas terceirizadas não possuíam as características de complexidade dos similares empreendidos pela PETROBRÁS.

Os formulários utilizados pela PETROBRÁS incluem coletas de dados acerca da história clínica do paciente pregressa e atual, informações de natureza pessoal sobre hábitos como tabagismo e uso de álcool, consumo de açúcar se baixo, moderado ou alto e ainda informações sobre cuidados com a higiene bucal entre outros.

Podemos afirmar, que em relação ao odontograma, a codificação usada nos exames ocupacionais tanto admissionais, periódicos como demissionais é deveras primorosa possibilitando a quem trabalha nos setores de informatização, uma leitura clara e eficaz.

Desnecessário seria informar que a PETROBRÁS, possuidora de um dos melhores sistemas de saúde do País, outrora denominada AMS- Assistência Médica Supletiva, hoje Compartilhados, não poderia ser diferente em relação à Odontologia.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Consideramos a realização dos exames periódicos ocupacionais de Odontologia em trabalhadores offshore como um avanço considerável na prevenção e diagnóstico de doenças da cavidade bucal, fatores primordiais para a consolidação da importância da especialidade de Odontologia do Trabalho, dentro do contexto da Saúde Pública.

Torna-se importante ressaltar que, há muito que progredir em relação às coletas dos dados dos referidos trabalhadores terceirizados, cuja peculiaridade das atividades laborativas desenvolvidas, é no mínimo diferente das demais atividades industriais.

A atividade de perfuração e produção de petróleo possui características próprias, com nuances ímpares, submetendo o trabalhador ao confinamento em plataforma ou navio, sujeito ao ambiente marítimo, que sem sombra de dúvida é bastante diverso das atividades terrestres.

Uma das grandes preocupações com o trabalhador offshore é quanto à possibilidade de odontalgia durante o período de embarque, uma vez que as plataformas e navios não possuem consultório odontológico (somente técnico de enfermagem) ensejando uma necessidade de desembarque com mobilização de helicóptero, onerando as empresas e submetendo o paciente a um sofrimento considerável.

Sugerimos que a Associação Brasileira de Odontologia do Trabalho (ABOT) possa contribuir com o aprimoramento, na elaboração dos formulários de Odontologia utilizados pelas clínicas de Medicina do Trabalho, visando uma melhor coleta de dados nos exames ocupacionais e objetivando a prevenção.

Para tanto seria necessário que fosse criada uma comissão da ABOT, que visitasse as plataformas e conhecesse de perto a realidade em que vivem os trabalhadores terceirizados, na maioria das vezes com planos de saúde que não incluem tratamento odontológico e dependendo exclusivamente do Sistema Único de Saúde.

ROBSON TADEU DE CASTRO MACIEL
Pósgraduado em Odontologia Legal - UFRJ
Mestre em Ciências da Saúde - Unipli - RJ

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